LÍNGUA PORTUGUESA vs LÍNGUAS NACIONAIS
Na luta entre o espaço da L. Portuguesa vs L. Nacionais tem se constatado, no meu ponto de vista, uma vantagem esmagadora por parte da Língua Portuguesa. Todavia, esforços, embora oficiosos, são feitos para reverter a situação linguística angolana, concernente à valorização das L. Nacionais e, lógico, da cultura nacional. Pois, toda e qualquer cultura tem como veículo a língua.
A língua herdada dos portugueses, ganhou o estatuto de língua oficial, mas não deve (ia) justificar a maior importância que nela se atribui; pois a essência Sui generis dos angolanos está nas L. Nacionais.
Aquando duma palestra que presidia numa Instituição, um dos intervenientes pediu que justificasse a expressão que defendia: “ – A L. Portuguesa está em vantagem esmagadora sobre às L. Nacionais”
Justificava, então, dizendo: – Dentre “mil razões” destaco o aportuguesamento – que consiste, neste caso, na transformação diacrónica[1] e sincrónica[2] dos vocábulos das L. Nacionais pela fonética da L. Portuguesa: Exemplo concreto e oficial é o caso da palavra – Viye, que por influência da interferência fónica do português, agora pronunciada Bié; – é do nosso conhecimento que em certas regiões de Portugal, os interlocutores, o fonema /b/ é pronunciado em vez de /v/. Ex: [binhu] em vez de [vinhu]; [nobenta] em vez de [noventa]; [bocê] em vez de [você].
Na escrita Cokwe que na transcrição fonética pronuncia-se [t∫okwe][3] em português têm escrito Tchokwe – é que na L. Nacional o fonema /c/ tem o som /t∫/ (tch)*. E muitos outros casos que sofrem essa anomalia: – [Cunene] em vez de [Kunene]; [Quicongo] em vez de [Kikongu]; [Quanhama] em vez de [Kwanyama], na L. Nacional o dígrafo nh escreve-se ny; [banto(s)] em vez de [Bantu] – Bantu já é plural que quer dizer pessoas, por causa do prefixo do plural ba- mais o radical –ntu que significa pessoa singular).
Outro fenómeno do género se averigua nos nomes próprios (antropónimos) nacionais, foneticamente, muitos deles, são transcritos de forma aportuguesada:
– Chicambi é o nome que eu assino que na verdade seria Xikambi; – os conservadores precisam ter conhecimentos das L. Nacionais. O dígrafo ch não existe nas línguas nacionais, segundo os linguistas africanistas. – N’zangi [nzãgui]* em vez de Nzanji [nzãji], falha essa que se constata sempre que o rodapé da TPA2 apresenta o nome de um dos seus apresentadores.
E muitos outros casos, que na verdade precisam da intervenção de estudantes e futuros investigadores. Bom, é um assunto para muitos, polémico, e se prolongarmos esse argumento contrastivo, não restará espaço para outros assuntos procedentes.
José Lucas “Anderson”
Linguista e Literato
[1] Estudo do léxico de uma língua do passado até aos nossos dias, ou seja, evolução através do tempo;
[2] Estudo do léxico de uma língua num determinado período ou fase;
[3] Com som: tchokwe*